Gerir o tempo
O tempo e a prioridade do relacionamento com Deus
O tempo, ou melhor, a falta dele, é um tema muito familiar para os profissionais de saúde. Pode até até dar conta de rir quando lemos (para não chorar) quando lemos no livro de Eclesiastes que «há um tempo para tudo e um tempo apropriado para cada atividade debaixo do céu» (Eclesiastes 3:1). Não parece assim tão simples!
Se pararmos um pouco para pensar, talvez percebamos que os dias se tornaram em semanas, as semanas em meses e, passado um ano, não tivemos verdadeiramente o progresso que desejávamos nesta área. Os livros que comprámos com entusiasmo continuam por ler na prateleira. Os amigos a quem prometemos dedicar tempo ainda esperam que o nosso rito abrande para percebermos como realmente estão.
E pior ainda: o tempo que passamos a falar com Deus e a ler a Sua Palavra é reduzido a momentos apressados (quando acontecem), com um olho no relógio e o outro já meio fechado pelo cansaço.
Quando estamos demasiado ocupados ou demasiado cansados, há pouca probabilidade de aprofundarmos o nosso relacionamento com o nosso Pai celestial. Jesus oferece‑nos um exemplo a seguir. Apesar das enormes pressões sobre o seu tempo — incluindo as necessidades físicas e espirituais de muitas pessoas — o tempo com o Pai era a sua prioridade.
Jesus manteve de forma única um equilíbrio entre adoração, oração, família, amigos, trabalho e descanso. Para isso, mantinha um relacionamento íntimo com Deus e tinha uma visão clara da sua missão de vida.
Seguem‑se algumas das características de Jesus que, sendo o nosso modelo, podemos imitar para aprofundar o nosso relacionamento com Deus.
Características do exemplo de Jesus
Jesus guardava a sua vida devocional — passava regularmente tempo em oração e no estudo das Escrituras, especialmente durante períodos de grande actividade (Lucas 5:15–16). Estava profundamente imerso na Palavra de Deus. Sejam leitores e estudantes da Bíblia — façam dela uma das vossas prioridades principais.
Jesus não pecou — o pecado enfraquece o nosso testemunho mais do que qualquer outra coisa. Precisamos de ser limpos por completo. Ao rejeitarmos pensamentos e comportamentos errados, temos mais tempo e energia para sermos usados por Deus (2 Timóteo 2:20–21).
Jesus tinha uma estratégia clara — encontramos a declaração da missão de Jesus no sermão à sua própria comunidade em Nazaré: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar boas‑novas aos pobres… para proclamar o ano da graça do Senhor» (Lucas 4:18–19).
Também nós precisamos de um propósito e de uma visão global alinhados com a nossa vocação no corpo de Cristo. Devemos assumir o controlo das nossas vidas, escolhendo obedecer a Deus da mesma forma que Jesus fez.
Jesus arranjou tempo para as pessoas individualmente — durante o seu ministério intenso, não deixou que o urgente abafasse o importante. Jesus ia visitar alguém gravemente doente com uma infecção aguda quando foi interrompido por uma mulher com hemorragias crónicas. Deu‑lhe total atenção e, como que para confirmar essa decisão, Deus permitiu‑lhe ressuscitar a filha de Jairo (Lucas 8:40–56).
Ao longo do vosso ministério como estudantes e profissionais, não será possível passar tempo com toda a gente. Orem para que Deus vos mostre com quem Ele quer que parem para ficar mais tempo.
Outras lições sobre o uso do tempo
A estratégia de Jesus não era fazer todo o trabalho sozinho, mas capacitar outros — isto pode ser particularmente difícil na área da Saúde. Muitos de nós somos pioneiros independentes e solitários; no entanto, Deus quer que capacitemos outros para realizar o trabalho, de forma que este se multiplique. Poderemos até descobrir que aqueles que capacitamos acabam por fazer um trabalho melhor do que o nosso (Mateus 9:37–38).
Jesus escolheu bem a sua companhia — tornamo‑nos semelhantes àqueles com quem passamos o nosso tempo. Quantos homens e mulheres usados por Deus na história bíblica passaram um período das suas vidas a aprender com um modelo? Pensem em Josué e Moisés, Eliseu e Elias, Timóteo e Paulo. Procurem cristãos mais velhos com quem possam aprender verdadeiramente. Descubram o que os torna eficazes ao serviço de Deus e procurem imitá‑los.
Jesus percebeu a importância de se retirar e descansar, mesmo perante necessidades urgentes (Lucas 4:42–43). Também nós precisamos de fazer pausas regulares nos estudos e no ministério. O esgotamento é um problema sério entre cristãos na área da saúde, pois somos movidos por um forte sentido de responsabilidade e estamos conscientes da enorme quantidade de necessidades não satisfeitas.
Jesus nunca foi ocioso — o trabalho árduo glorifica a Deus, pois imitamos o próprio Deus, que trabalha. É importante vermos tanto o estudo com o trabalho como um serviço para Deus. não apenas para a nossa futura carreira. Passar tempo com a família e com os amigos é igualmente testar ao serviço de Deus.
Conclusão
A nossa oração é que aprendamos com Jesus a usar o nosso tempo de forma que mais glorifique a Deus. Se as nossas agendas estão demasiado cheias para acomodar prioridades eternas, então precisamos de reorganizar o nosso horário com foco nas preocupações de Deus, em vez de permitir que essas prioridades sejam comprometidas.
Mas não deixem que as preocupações com a gestão do tempo vos consumam. Confiem em Deus: a Sua graça é suficiente, e o Seu Espírito vive e atua em vós.
Traduzido por Filipe Silva