Este site utiliza cookies da Google para disponibilizar os respetivos serviços e para analisar o tráfego. O seu endereço IP e agente do utilizador são partilhados com a Google, bem como o desempenho e a métrica de segurança, para assegurar a qualidade do serviço, gerar as estatísticas de utilização e detetar e resolver abusos de endereço.

Saber mais

Uso intensivo do telemóvel - é um problema?

 

No recente artigo “Is Phone Addiction Really That Bad?” publicado no site Crossway.org, Patrick Miller aborda a questão da utilização  excessiva do telemóvel e de que forma isso pode prejudicar-nos. A partir do livro "Scrolling Ourselves to Death: Reclaiming Life in a Digital Age",  Miller explica que vivemos numa era de abundância de ecrãs mas o mas o nosso cérebro não está preparado para esta “inundação de dopamina”. O smartphone não é apenas uma ferramenta, mas uma espécie de "seringa digital" que injeta doses constantes de satisfação imediata no nosso sistema. O autor utiliza a analogia de uma balança cerebral entre o prazer e a dor para explicar como, ao procurarmos constantemente o estímulo das redes sociais, desregulamos o nosso equilíbrio natural, caindo num ciclo vicioso onde precisamos de cada vez mais "hits" digitais para nos sentirmos bem/normais.

O artigo revela que as grandes empresas tecnológicas não criaram estas plataformas por acaso, elas utilizam os mesmos mecanismos psicológicos das slot machines de Las Vegas — as recompensas variáveis e intermitentes — para nos manter cativados. Ao contrário da televisão de antigamente, o vício atual é portátil, personalizado por algoritmos de Inteligência Artificial que escolhem aquilo que tu mais gostas e está sempre disponível, transformando momentos de tédio ou ansiedade em oportunidades para o consumo compulsivo. O impacto é devastador: desde a deterioração da capacidade de atenção até ao aumento alarmante de crises de saúde mental. Estamos a trocar relações reais e profundas por simulacros digitais que nunca satisfazem verdadeiramente. E a "esturrar" o nosso precioso tempo em atividades que acabam por nos prejudicar.

No contexto Português, temos também livros e especialistas como a Prof. Ivone Patrão (vê a entrevista em vídeo) explorando os sinais de alarme e conselhos práticos.

Para o leitor cristão, o desafio é ainda mais profundo. Miller argumenta que este vício nos treina para amar muito o que deveria ser amado pouco, desviando o nosso coração da adoração a Deus e do serviço ao próximo. O que nos diz Deus na Sua Palavra (adaptado da Tradução A Mensagem):

Sobre a gestão do tempo: Portanto, prestem atenção no modo como vocês vivem. Não vivam como pessoas sem juízo, mas como pessoas sábias. Aproveitem bem cada oportunidade, porque os dias são difíceis. (Efésios 5:15-16)

Sobre a dependência: Alguém pode dizer: 'Sou livre para fazer o que eu quiser'. Pode ser, mas nem tudo o que tu podes fazer é bom para ti. Eu digo: 'Sou livre para fazer o que quiser, mas não vou deixar-me escravizar por nada'. (1 Coríntios 6:12)

Sobre as prioridades: É óbvio: onde estiver o teu tesouro, é ali que vais querer estar, e é lá que o teu coração vai fazer morada. (Mateus 6:21)

Não amem o mundo a ponto de não sobrar lugar para o amor do Pai. Tudo o que está no mundo — o desejo de querer tudo para si, de querer tudo para os olhos, de querer parecer importante — nada disso vem do Pai, mas do mundo. (I João 2:15)

O que realmente importa e constrói: Jesus disse: 'Ama o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente'. Este é o primeiro e maior mandamento. O segundo é: 'Ama o teu próximo como a ti mesmo'. (Mateus 22:37-39)

Se sentes que o teu telemóvel tem mais autoridade sobre o teu tempo do que os teus próprios valores, este texto é um convite urgente à reflexão. No livro "Scrolling Ourselves to Death", de Brett McCracken e Ivan Mesa, os autores exploram como podemos recuperar a nossa humanidade e a nossa fé num mundo que tenta monetizar cada segundo da nossa atenção. É uma leitura essencial para quem deseja quebrar o ciclo do scroll infinito e redescobrir a liberdade de uma vida focada no que é realmente importante.

 

Artigo adaptado por Filipe Silva a partir de “Is Phone Addiction Really That Bad?”, publicado no site Crossway.org Vê também o artigo original.

Imagem: Robin Worrall, Unsplash.com